Os segundos Jogos da Advocacia Paulista foram palco de disputas emocionantes, conquistas e espírito esportivo, mas também revelaram histórias que ultrapassam o resultado das competições. Em meio às provas, pais e filhos mostraram que o esporte também é uma forma de preservar memórias, construir exemplos e fortalecer vínculos que atravessam gerações.
Para Erenaldo Santos Salustiano, da Subseção de Poá, cada corrida tem um significado especial. Após perder o filho Samuel há um ano e meio em decorrência de um raro câncer no miocárdio, encontrou nas pistas uma maneira de manter viva a presença daquele que costumava ser seu companheiro de provas: “Eu corro por ele hoje. Sempre que tenho a oportunidade, estou correndo e levando o Samuca no peito. É uma forma de homenagem”.
Uma das campeãs da corrida, Joana Motta, da Subseção de Descalvado, também encontrou no esporte uma forma de transformar a saudade em força. Ela começou a correr em 2016, após a morte do pai, que também era corredor: “Entrei em depressão e o único jeito que encontrei para fugir da dor foi participar de uma corrida, fazer uma caminhada. Meu pai era corredor, então toda vez que eu corro sinto que ele está comigo”.
Enquanto alguns carregam consigo a lembrança de quem já partiu, outros constroem novas memórias ao lado dos filhos. A advogada Jéssica Natasha Umeda Pelizari, da Subseção de Santo Amaro, viveu a experiência de disputar o JAP acompanhada da filha pequena e destacou o significado desse momento: “Conciliar a profissão, a maternidade e a preparação para os jogos foi um desafio. Saber que ela vai me ver lutar é uma satisfação enorme. É o exemplo que sempre quis passar para ela”.
A mesma vontade de inspirar a próxima geração motivou Kleber Sêna, da Subseção de Ribeirão Preto, que levou o filho Heitor para participar do e-sports, modalidade estreante no JAP. Mais do que competir, seu objetivo era proporcionar uma experiência diferente: “Falei para ele vir para se divertir. Na nossa época, não tínhamos a oportunidade de participar de eventos esportivos e trazer a família. Poder trazer as crianças para viver esse movimento do esporte junto com a gente é muito importante”.