A presidente da CAASP, Diva Zitto, decidiu transformar uma experiência pessoal em uma oportunidade de reflexão sobre ancestralidade e saúde. No dia 22 de junho, durante a reunião ordinária do Conselho Secional da OAB SP, na qual a CAASP apresentou à advocacia a parceria com a Genera, a dirigente realizou seu exame. Trinta dias depois, recebeu os resultados e agora compartilha parte das descobertas com a advocacia.
A Genera identificou 61% de ancestralidade africana no DNA da primeira mulher negra a presidir a CAASP. Se, por um lado, o resultado não a surpreendeu, por outro, trouxe pistas sobre um passado que não pôde ser inteiramente preservado. “Entender de qual região e localidades minha ancestralidade fez parte é um ato de alento. Principalmente para nós, pessoas negras, que viemos de todas as partes de África. É compreendermos efetivamente de onde viemos”, afirma a dirigente.
Saber quem foram seus antepassados e de onde vieram é uma realidade distante para muitas famílias negras. Homens, mulheres e crianças foram retirados à força de seus territórios africanos e trazidos ao Brasil como mercadorias, e não como famílias que pudessem preservar livremente seus nomes, memórias e histórias.

Embora o legado africano estivesse dentro de suas expectativas, foi outro dado que surpreendeu Diva Zitto: a parcela de 3% de ancestralidade americana. “Eu imaginava que fosse um número maior”, conta.
Esse dado, porém, precisa ser compreendido dentro dos limites dos bancos genéticos. A representatividade de populações indígenas ainda é menor, em parte devido à dificuldade de acesso a comunidades mais afastadas dos centros urbanos e à escassez de estudos genéticos sobre determinados povos.
Como a presidente da CAASP adquiriu o Genera Premium, além de obter informações sobre as origens ancestrais de seu DNA, ela também teve acesso a um mapeamento de suas predisposições genéticas relacionadas à saúde e ao bem-estar. O teste da Genera analisa mais de 500 mil pontos do DNA e pode indicar predisposições relacionadas a doenças, metabolismo, absorção de nutrientes e aspectos associados à saúde e à longevidade.
Ressalta-se que o teste genético não é um diagnóstico, mas uma escala de risco que precisa ser interpretada em conjunto com histórico familiar, hábitos de vida, exames clínicos e avaliação de profissionais de saúde. Foi exatamente o que Diva Zitto fez: levou os resultados à médica de sua confiança.
“A lógica é a da medicina preventiva. A médica explicou que agora podemos dar atenção especial às áreas de risco e, caso venha a surgir alguma doença, teremos tempo para tratá-la e erradicá-la”, explica. E completa: “Com esse tipo de informação em mãos, é possível tomar decisões de forma assertiva em relação à nossa saúde e aos nossos hábitos”.
Sobre a parceria CAASP-Genera
A parceria entre CAASP e Genera nasceu dos debates promovidos pela Coordenadoria de Igualdade Racial e Diversidade Sexual da entidade, criada para mapear necessidades assistenciais da comunidade negra e LGBT+.
Os testes são comercializados exclusivamente nos eventos promovidos pela CAASP. A coleta da amostra de DNA pode ser realizada por meio de exame de sangue, posteriormente encaminhado para análise laboratorial. Também é possível adquirir o teste no local e realizar a coleta em casa, por meio de swab, seguindo as orientações fornecidas no kit para envio da amostra ao laboratório.
São duas modalidades disponíveis para compra pela advocacia: o Teste Basic, por R$ 210, e o Teste Premium, por R$ 287. Os valores são reduzidos em relação aos praticados no mercado, onde os kits custam a partir de R$ 319,08.