Com profundo pesar, a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP) lamenta o falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, jornalista, escritora e histórica defensora da democracia, dos direitos humanos e dos direitos das mulheres no Brasil.
Foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. Por anos, coordenou o projeto Promotoras Legais Populares, iniciativa dedicada à formação de mulheres para o conhecimento de seus direitos e o enfrentamento da violência de gênero.
Nascida em Contagem (MG), em 1944, iniciou a militância política ainda na juventude, no PCdoB (Partido Comunista do Brasil). Aos 27 anos (1972), foi presa em São Paulo e torturada no DOI-Codi de São Paulo, sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos, Janaína e Edson, então com 5 e 4 anos, foram obrigados a presenciar as torturas sofridas pela mãe.
Jornalista e escritora é autora de "Breve História do Feminismo no Brasil e Outros Ensaios" e de "Contos da Cela Três: Memórias de uma Presa Política na Ditadura", escrito em 1973, durante o período em que esteve presa. Os depoimentos de Amelinha foram fundamentais para mostrar o papel das mulheres na resistência contra a ditadura e também denunciar as violências que sofreram.
A Diretoria da CAASP presta homenagem à trajetória de Amelinha Teles, marcada pela luta e pelo compromisso com a democracia, a memória e os direitos humanos.