Janeiro Branco chama atenção para a saúde mental da advocacia

Por Isabella Maria Alcantara Gonçalves

Em 22 janeiro 2026


 

O mês de janeiro simboliza recomeços, reflexões e expectativas de novos projetos, mas também traz cobranças internas, frustrações com metas não alcançadas e ansiedade diante das decisões que parecem urgentes demais logo nos primeiros dias do ano. Tudo isso impacta a saúde mental, da qual advogados e advogadas não escapam.

A psicóloga Maristela Ribas Garcia avalia que a advocacia é uma das profissões mais afetadas pelo estresse crônico e pela pressão constante por resultados, o que dificulta a separação entre a vida profissional e pessoal. Segundo ela, muitos advogados adiam a busca por apoio psicológico e só procuram atendimento quando a sobrecarga emocional já está instalada.

Maristela destaca que a cultura da autossuficiência é presente na profissão. “O advogado é formado para não falhar, sustentar decisões e lidar com conflitos o tempo todo, o que dificulta o reconhecimento da própria fragilidade”, afirma. 

A pressão dos prazos e responsabilidades jurídicas pode gerar medo, inadequação e sobrecarga emocional, desencadeando sintomas físicos, como alterações alimentares, exaustão e queda na imunidade.

O psicólogo Otávio Augusto de Melo observa que os quadros mais frequentes no atendimento clínico a advogadas e advogados são os de ansiedade generalizada e depressão. “Esses sofrimentos, muitas vezes, não surgem de forma isolada, mas estão associados a estados persistentes de angústia, insegurança e dúvidas constantes sobre si mesmo e sobre a própria capacidade profissional”, explica o profissional.

Diante deste cenário, foi criada a campanha nacional Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental e à importância do cuidado emocional ao longo da vida. “Falar sobre saúde emocional é essencial para que o advogado se reconheça como alguém que também precisa de cuidado”, avalia.

 

Muito além do Janeiro Branco

A atenção à saúde mental não deve se restringir ao mês de janeiro. O cuidado emocional precisa ser contínuo e integrado à rotina pessoal e profissional ao longo de todo o ano.

“A psicoterapia deve ser compreendida como um processo contínuo, que vai além do enfrentamento de crises pontuais. O espaço terapêutico é um lugar de escuta qualificada, sem julgamentos, no qual o sujeito pode falar livremente sobre sua história, seus conflitos e sua dinâmica emocional”, finaliza Otávio.

O advogado Marcio Antonio Coutinho Valente, assistido pela rede referenciada da CAASP, é exemplo da importância do tratamento contínuo. Hoje aposentado por invalidez, ele relata que, durante o exercício advocatício, enfrentava ansiedade constante em razão dos compromissos profissionais.

“O tratamento precisa ser constante para alcançar a melhora. Os profissionais que encontrei através da rede da Caixa me ajudam muito, são tudo para mim”, afirma Valente.

Ao falar de sua trajetória, Marcio chama atenção para um desafio que vai além do tratamento em si: o preconceito ainda associado à saúde mental no meio jurídico. Como o sofrimento psíquico não é visível a olho nu, costuma ser incompreendido pelos pares. Felizmente, Marcio superou esse obstáculo.

“Compreender que precisava de ajuda e ir atrás foi um grande passo. Hoje a CAASP me dá todo o suporte que necessito e espero que meus colegas possam seguir pelo mesmo caminho e melhorem”, conclui o advogado.

 

Atendimento acessível é chave para o cuidado

Para o psicólogo Otávio Augusto de Melo, facilitar o acesso a profissionais de saúde mental é decisivo para que a advocacia busque atendimento e mantenha o cuidado ao longo do tempo. Segundo ele, o acesso reduz barreiras e favorece a continuidade do tratamento.

É aqui que a atuação da CAASP se insere. A entidade disponibiliza à advocacia paulista uma rede referenciada com psicólogos e psiquiatras, com valores mais acessíveis do que os praticados pelo mercado, para auxiliar os colegas a buscar suporte especializado.

 

Consulte a rede médica referenciada da CAASP e cuide de sua saúde AQUI.



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