{"status":0,"message": " CAASP Noticia Selecionada ","data": [{"NoticiaSelecionada":[{"des_Titulo":"Advogado conta a história do racismo no futebol brasileiro","des_SubTitulo":"","cod_Noticia":"4984","des_Imagem":"barbosa.jpg?id=1","des_AltImage1":"","nom_Usuario":"Paulo Henrique Arantes","des_Texto": "<p>O racismo &eacute; estrutural na sociedade brasileira e n&atilde;o &eacute; diferente no &acirc;mbito do futebol, esporte que mobiliza multid&otilde;es com todas as suas idiossincrasias. Para compreender como o preconceito manifesta-se no futebol e conhecer em detalhes fatos hist&oacute;ricos sobre o tema, o advogado Carlos Roberto Elias nos fornece um alentado trabalho, intitulado &ldquo;O Racismo no Futebol&rdquo;, que comp&otilde;e o segundo volume da obra &ldquo;Direito &amp; Futebol&rdquo; (Carta Editora, 2020).</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Advogado criminalista, professor de Direito Penal e Processo Penal da Faculdade Zumbi dos Palmares, ex-diretor cultural e de Responsabilidade Social e atual conselheiro do Sport Club Corinthians Paulista, Elias &eacute; membro da comiss&atilde;o que organiza os campeonatos de futebol da advocacia paulista, institu&iacute;da no &acirc;mbito da Caixa de Assist&ecirc;ncia dos Advogados de S&atilde;o Paulo, a CAASP, sob responsabilidade do diretor Edivaldo Mendes da Silva, que parabenizou o colega pela abordagem do tema.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;Imperam no Pa&iacute;s diferentes formas de discrimina&ccedil;&atilde;o racial, veladas ou ostensivas, que afetam mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira constitu&iacute;da de negros ou descendentes de negros, privados no exerc&iacute;cio pleno da sua cidadania. Com o futebol n&atilde;o foi diferente!&rdquo;, escreve Elias.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O autor percorre a hist&oacute;ria do futebol brasileiro num texto repleto de casos que ilustram a recorrente discrimina&ccedil;&atilde;o racial desde o seu nascimento, como se verifica nestas linhas: &ldquo;O primeiro clube fundado com a participa&ccedil;&atilde;o de um negro no Brasil foi a Associa&ccedil;&atilde;o Atl&eacute;tica Ponte Preta, de Campinas-SP, em 1900. Teve entre seus fundadores Miguel do Carmo. Ele foi o primeiro jogador negro do Brasil. Nas v&aacute;rzeas campineiras, o Clube reinava absoluto e trazia a luta da igualdade de ra&ccedil;as em sua ess&ecirc;ncia. Por conta de sua ousadia, a Ponte Preta come&ccedil;ou a ser chamada de Macaca, um apelido pejorativo racista&rdquo;.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre evolu&ccedil;&otilde;es e retrocessos hist&oacute;ricos, Elias nos mostra que o racismo no futebol persiste &ndash; e os exemplos disso s&atilde;o in&uacute;meros. Um deles, relatado no artigo, &eacute; o caso do jogador Malcom, ex-Corinthians, contratado pelo clube russo Zenit por 40 milh&otilde;es de euros e recha&ccedil;ado pela torcida, que n&atilde;o aceita atletas negros. Numa partida em S&atilde;o Petersburgo, os torcedores do Zenit, orgulhosos de seu racismo, exibiram uma faixa com os dizeres ir&ocirc;nicos: &ldquo;Obrigado, dire&ccedil;&atilde;o, pela lealdade &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp; As origens europeias talvez respondam, ao menos em parte, pelo racismo no futebol brasileiro. Assim explica Elias: &ldquo;O in&iacute;cio do preconceito no futebol n&atilde;o se deu por conta do racismo, ao contr&aacute;rio, iniciou-se por conta da hist&oacute;ria do futebol ser de origem europeia e seus praticantes, no in&iacute;cio, teriam que ser frequentadores de clubes da elite. Os campos de futebol eram um prolongamento da elite da sociedade. O futebol, apresentado como produto de moda, reunia participantes e admiradores n&atilde;o somente pela novidade, tamb&eacute;m para participar de um evento revestido pela simbologia da modernidade que vinha da Europa&rdquo;.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O futebol brasileiro, que tem em Pel&eacute; o seu &iacute;dolo maior, tamb&eacute;m demonizou grandes atletas em boa dose por serem negros. &Eacute; o caso do excepcional goleiro Barbosa (<strong><em>foto</em></strong>), do Vasco da Gama, que sofreu os gols uruguaios que tiraram o t&iacute;tulo de campe&atilde;o do mundo do Brasil 1950, em pleno Maracan&atilde;. As cobran&ccedil;as sobre Barbosa ultrapassaram o limite do razo&aacute;vel, e assim ele desabafou: &ldquo;No Brasil, a pena maior por um crime &eacute; de 30 anos. H&aacute; 43 anos eu pago por um crime que n&atilde;o cometi&rdquo;.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em &ldquo;O Racismo no Futebol&rdquo;, Carlos Roberto Elias tamb&eacute;m oferece ao leitor minuciosa an&aacute;lise da legisla&ccedil;&atilde;o antirracismo em vigor no Brasil. Mas a lei n&atilde;o &eacute; tudo. &ldquo;A import&acirc;ncia da populariza&ccedil;&atilde;o do futebol no Brasil, para o afastamento dos preconceitos, destacou entre seus maiores &iacute;dolos jogadores negros, morenos, enfim, leg&iacute;timos brasileiros, tais como Le&ocirc;nidas, Zizinho, Didi, Domingos da Guia, Garrincha e Pel&eacute;. O &ecirc;xito dos jogadores acima citados abriu as portas para que novos jogadores brasileiros pudessem usufruir de uma estrada mais limpa, com menos preconceitos, pois o rei do futebol &eacute; brasileiro e negro. Por&eacute;m, o combate &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o, ao preconceito, ao racismo, tem que ser di&aacute;rio, com amplos exerc&iacute;cios de cidadania, evitando ataques implantados na mem&oacute;ria desde a pr&eacute;-escola&rdquo;, adverte o advogado.</p><p>&nbsp;</p><p>Nos pr&oacute;ximos dias ser&aacute; lan&ccedil;ado o terceiro volume de &ldquo;Direito &amp; Futebol&rdquo;, cuja organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; do advogado Higor Marcelo Maffei Bellini, tamb&eacute;m integrante da comiss&atilde;o organizadora dos campeonatos de futebol da advocacia paulista, no &acirc;mbito do CAASP. Nessa obra, Carlos Roberto Elias escreve sobre a &ldquo;A Responsabilidade Social do Clube Formador&rdquo;.</p><p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>","des_imagem1":"","des_AltImage1":"","des_imagem2":"","des_AltImage2":"","des_imagem3":"","des_AltImage3":"","dta_Cadastro":"segunda-feira, 17 de janeiro de 2022","cod_ModuloSite":"1","dta_Publicacao":"31/01/2022 09:37:02"}]}]}