{"status":0,"message": " CAASP Noticia Selecionada ","data": [{"NoticiaSelecionada":[{"des_Titulo":"Consciência Negra: avanços pontuais não atenuam violência contra negros e negras","des_SubTitulo":"","cod_Noticia":"4634","des_Imagem":"cons.jpg?id=1","des_AltImage1":"Pessoas negras manifestam-se contra violência","nom_Usuario":"Paulo Henrique Arantes","des_Texto": "<p>&nbsp;</p><p>20 de novembro, Dia da Consci&ecirc;ncia Negra, muito mais a refletir do que a comemorar. N&atilde;o se negam avan&ccedil;os nos &uacute;ltimos anos no sentido da igualdade racial no Brasil - por exemplo, aqueles obtidos gra&ccedil;as &agrave; Lei de Cotas. Mas ao passo que a popula&ccedil;&atilde;o negra ganha espa&ccedil;o no mercado de trabalho e no campo educacional, a viol&ecirc;ncia urbana segue a vitim&aacute;-la em larga escala nas periferias.</p><p>A edi&ccedil;&atilde;o 2020 do Atlas da Viol&ecirc;ncia, elaborada pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas Aplicadas) e pelo F&oacute;rum Brasileiro de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, revela terem ocorrido 57.956 homic&iacute;dios no pa&iacute;s em 2018, 75,7%&nbsp; dos quais de negros e negras. De 4.519 mulheres assassinadas no Brasil em 2018, 68% eram negras. De 2008 a 2018, os homic&iacute;dios de mulheres negras cresceram 12,4%, enquanto os de mulheres n&atilde;o-negras ca&iacute;ram 11,7%.<br />&ldquo;A viol&ecirc;ncia de origem racial permanece muito grande contra a popula&ccedil;&atilde;o negra. Ainda temos gargalos importantes por conta do racismo estrutural&rdquo;, afirma a advogada Maria Sylvia Aparecida de Oliveira, presidente da Comiss&atilde;o de Igualdade Racial da OAB SP.</p><p>Para o advogado e soci&oacute;logo Jos&eacute; Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, o Atlas da Viol&ecirc;ncia mostra que o quadro agravou-se na &aacute;rea da Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. &ldquo;Involu&iacute;mos&rdquo;, assinala.</p><p>A viol&ecirc;ncia decorrente do racismo estrutural e da profunda desigualdade social n&atilde;o se concretiza apenas em homic&iacute;dios e outros tipos de agress&otilde;es f&iacute;sicas. A pandemia do novo coronav&iacute;rus tamb&eacute;m alveja com mais for&ccedil;a a popula&ccedil;&atilde;o negra.</p><p>Segundo Maria Sylvia, &ldquo;h&aacute; dados informando que as pessoas negras est&atilde;o muito mais sujeitas a morrer de Covid-19, n&atilde;o por fatores biol&oacute;gicos, mas por causa da sua condi&ccedil;&atilde;o de vida&rdquo;.</p><p>&ldquo;Na cidade de S&atilde;o Paulo, por exemplo, a maioria negra, fora do mercado formal, reside em locais insalubres, com grande n&uacute;mero de pessoas aglomerando-se em espa&ccedil;os muito pequenos. Elas n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de observar o distanciamento&rdquo;, explica a advogada. E vai al&eacute;m: &ldquo;A tempestade da pandemia &eacute; a mesma para todos e todas, mas os barcos para atravess&aacute;-la s&atilde;o diferentes&rdquo;.</p><p>Avan&ccedil;os &ndash; Recentemente, uma grande rede varejista deu mostra do enraizamento de a&ccedil;&otilde;es afirmativas da igualdade racial no Brasil, ao anunciar que seu programa de trainee para 2021 selecionaria exclusivamente candidaturas de negros e negras. Diante de um processo contr&aacute;rio movido por um defensor p&uacute;blico da Uni&atilde;o, alegando viola&ccedil;&atilde;o de direitos coletivos, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, em defesa da empresa, ressaltou a legitimidade de a&ccedil;&otilde;es afirmativas para supera&ccedil;&atilde;o de desigualdades e discrimina&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas.</p><p>N&atilde;o existe argumento consistente que justifique privilegiar n&atilde;o-negros em postos de trabalho. A ideia de que a popula&ccedil;&atilde;o branca possui em geral melhor forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se sustenta empiricamente. &Eacute; o que demonstra a &uacute;ltima Pnad (Pesquisa por Amostra por Domic&iacute;lios), realizada pelo IBGE: dos ingressantes na educa&ccedil;&atilde;o superior em 2017, 29,3% foram de mulheres negras, 28% de mulheres brancas, 22,4% de homens brancos e 19,6% de homens negros.</p><p>&ldquo;Temos de considerar que negros e negras no Brasil s&oacute; foram admitidos na educa&ccedil;&atilde;o formal na d&eacute;cada de 1940, portanto existe um enorme d&eacute;ficit em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o branca. H&aacute;, sim, um avan&ccedil;o importante na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, enfatiza Maria Sylvia. &ldquo;Nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos tamb&eacute;m h&aacute; uma entrada maior de pessoas negras, ainda muito aqu&eacute;m do desejado, mas n&atilde;o deixa de ser um avan&ccedil;o&rdquo;, acrescenta.</p><p>Segundo Jos&eacute; Vicente, as cotas, ao completarem 15 anos, &ldquo;s&atilde;o recepcionadas pela maioria da sociedade, consolidando-se e sacramentando-se legalmente&rdquo;. De outra parte, lembra o advogado, &ldquo;com a interven&ccedil;&atilde;o do Tribunal Superior Eleitoral para inclus&atilde;o de negros e negras nas elei&ccedil;&otilde;es, construiu-se uma ponte interessante para mais um flanco, no sentido de promover sua participa&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica&rdquo;.</p><p>&ldquo;Evolu&iacute;mos em v&aacute;rios pontos, mas o fato central &eacute; que o fosso &eacute; t&atilde;o profundo que precisamos continuar evoluindo a cada dia, a cada minuto&rdquo;, nota Jos&eacute; Vicente.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>","des_imagem1":"0","des_AltImage1":"","des_imagem2":"0","des_AltImage2":"","des_imagem3":"0","des_AltImage3":"","dta_Cadastro":"quarta-feira, 18 de novembro de 2020","cod_ModuloSite":"1","dta_Publicacao":"03/12/2020 10:03:40"}]}]}