{"status":0,"message": " CAASP Noticia Selecionada ","data": [{"NoticiaSelecionada":[{"des_Titulo":"Lei Maria da Penha faz 14 anos e é referência mundial, mas Brasil ainda falha em políticas de equidade","des_SubTitulo":"","cod_Noticia":"4564","des_Imagem":"mariadapenha.jpg?id=1","des_AltImage1":"Foto-ilustração de violência contra a mulher","nom_Usuario":"Paulo Henrique Arantes","des_Texto": "<p>&nbsp;</p><p>&ldquo;A Lei Maria da Penha &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o afirmativa de enfrentamento a uma condi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de viol&ecirc;ncia, discrimina&ccedil;&atilde;o e opress&atilde;o das mulheres somente pelo fato de serem mulheres. Costumo dizer que a lei veio para resgatar a dignidade da mulher brasileira.&rdquo; A afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; dela, Maria da Penha Maia Fernandes, uma cearense de 75 anos que ajudou a escrever o mais importante cap&iacute;tulo da luta no Brasil por uma sociedade livre do subjugo das mulheres.<br /> <br />Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 / 2006 possui car&aacute;ter inovador, principalmente por estabelecer medidas protetivas de urg&ecirc;ncia que fazem cessar de imediato situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e asseguram a integridade de v&iacute;tima. Nos locais em que &eacute; efetivamente aplicada, as reincid&ecirc;ncias diminuem. S&atilde;o 46 artigos distribu&iacute;dos em sete t&iacute;tulos, instituindo mecanismos de preven&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra a mulher conforme a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (art. 226, &sect; 8&deg;) e quatro tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro - Conven&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m do Par&aacute;, Pacto de San Jos&eacute; da Costa Rica, Declara&ccedil;&atilde;o Americana dos Direitos e Deveres do Homem e Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher.</p><p>A despeito da qualidade da Lei Maria da Penha e do avan&ccedil;o por ela proporcionado, o Brasil ainda est&aacute; longe de ser um pa&iacute;s que d&aacute; &agrave; mulher o respeito que ela merece.</p><p>&ldquo;A Lei Maria da Penha &eacute; considerada pela ONU uma das tr&ecirc;s mais avan&ccedil;adas do mundo. Por outro lado, somos o quinto pa&iacute;s com maior n&uacute;mero de mortes de mulheres&rdquo;, salienta a advogada Alice Bianchini, conselheira federal da OAB por S&atilde;o Paulo e vice-presidente da Comiss&atilde;o Nacional da Mulher Advogada. &ldquo;Onde est&aacute; o erro?&rdquo;, questiona. E prossegue: &ldquo;O erro est&aacute; na falta de investimentos em pol&iacute;ticas de equidade de g&ecirc;nero, j&aacute; que, quanto maior &eacute; a desigualdade entre homens e mulheres, maior &eacute; o &iacute;ndice de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero &ndash; &eacute; o que mostram as estat&iacute;sticas&rdquo;.</p><p>&ldquo;A Lei Maria da Penha encontra no Brasil o dilema entre paradoxo e paradigma. Mesmo com ela, ainda somos o quinto pa&iacute;s no mundo em feminic&iacute;dio e o primeiro em transfeminic&iacute;dio, o feminic&iacute;dio de mulheres transexuais e travestis&rdquo;, nota a advogada Cl&aacute;udia Luna, presidente da Comiss&atilde;o da Mulher Advogada da OAB SP.<br /> <br />&ldquo;Ao avaliar os 14 anos dessa legisla&ccedil;&atilde;o t&atilde;o transformadora, t&atilde;o disruptiva, n&oacute;s ainda nos encontramos entre o paradoxo de contarmos com essa legisla&ccedil;&atilde;o mas, ao mesmo tempo, n&atilde;o sermos paradigma de prote&ccedil;&atilde;o efetiva &agrave;s mulheres. No duelo entre paradoxo e paradigma, que as vidas das mulheres possam efetivamente ser garantidas e cada vez mais protegidas pela Lei Maria da Penha&rdquo;, concita Luna.<br /> <br />Para a advogada Myriam Ravanelli, vice-presidente da Comiss&atilde;o da Mulher Advogada da OAB SP, &ldquo;hist&oacute;rica e culturalmente, a mulher carrega o estigma de submiss&atilde;o e pseudo-inferioridade em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero masculino. E esses fatores ainda reverberam na atualidade quando tratamos da quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra a mulher&rdquo;.<br /> <br />Ao enaltecer a figura de Maria da Penha Maia Fernandes - que &ldquo;marcou a hist&oacute;ria da cidadania feminina, legitimando indaga&ccedil;&otilde;es e mobiliza&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa e igualit&aacute;ria&rdquo; &ndash; Ravanelli destaca que &ldquo;a Lei 11.340/2006, que carrega o seu nome, modificou toda a estrutura legal nas quest&otilde;es afetas &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e familiar, al&eacute;m de inspirar a ado&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o semelhante em outros pa&iacute;ses, fomentando a den&uacute;ncia de viol&ecirc;ncias f&iacute;sicas, psicol&oacute;gicas, morais, sexuais e patrimoniais n&atilde;o s&oacute; por parte das v&iacute;timas, mas da fam&iacute;lia, da sociedade e do Poder P&uacute;blico&rdquo;.<br /> <br /><strong>Epopeia</strong> - O p&eacute;riplo da farmac&ecirc;utica Maria da Penha Maia Fernandes at&eacute; que a lei fosse concretizada &eacute; digno de uma epopeia, contada em detalhes no seu livro <em>Sobrevivi... posso contar</em>, publicado em 1994. <br /> <br />Em 1983, ela recebeu dois tiros de seu companheiro Marco Antonio Heredia Viveros e ficou parapl&eacute;gica. A vers&atilde;o do agressor para os disparos &ndash; tentativa de assalto &ndash; foi posteriormente desmentida pela per&iacute;cia. Quatro meses depois de baleada, quando Maria da Penha voltou para casa &ndash; ap&oacute;s duas cirurgias, interna&ccedil;&otilde;es e tratamentos &ndash;, ele a manteve em c&aacute;rcere privado durante 15 dias e tentou eletrocut&aacute;-la durante o banho.</p><p>Ao levar seu caso &agrave; Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos), Maria da Penha desencadeou o processo legislativo que culminaria na Lei 11.340/2006, especificando atos de viol&ecirc;ncia contra a mulher em ambiente dom&eacute;stico para muito al&eacute;m das agress&otilde;es f&iacute;sicas &ndash; espancamento, queimaduras, sufocamento e outros &ndash;, incluindo as opress&otilde;es psicol&oacute;gicas: amea&ccedil;as, constrangimento, humilha&ccedil;&otilde;es, vigil&acirc;ncia constante, persegui&ccedil;&atilde;o, insultos, chantagem.</p><p><strong>Caixa de Assist&ecirc;ncia</strong> - O cumprimento da Lei Maria da Penha, que em &uacute;ltima inst&acirc;ncia implicar&aacute; uma mudan&ccedil;a cultural, requer aten&ccedil;&atilde;o permanente e iniciativas de apoio. Nesse sentido, a Caixa de Assist&ecirc;ncia dos Advogados de S&atilde;o Paulo criou em junho &uacute;ltimo o Aux&iacute;lio Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica, destinado a advogadas e estagi&aacute;rias benefici&aacute;rias de medidas protetivas previstas na lei, e que comprovem car&ecirc;ncia financeira em decorr&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia sofrida. Elas podem receber o aux&iacute;lio pecuni&aacute;rio pelo per&iacute;odo de seis meses, al&eacute;m de atendimento psicol&oacute;gico na rede referenciada da entidade ou pela plataforma de psicologia CAASPsico.</p><p>O Aux&iacute;lio Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica nasceu de uma iniciativa da vice-presidente da Caixa, Aline F&aacute;vero. &ldquo;Com o isolamento social e o aumento da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, resolvemos implantar agora o novo benef&iacute;cio. Como se trata de um projeto que vinha desde o ano passado, j&aacute; cont&aacute;vamos com previs&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria para tanto&rdquo;, relata a dirigente.</p><p>Conforme a oitava edi&ccedil;&atilde;o da Pesquisa Nacional sobre Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica e Familiar contra a Mulher, o percentual de mulheres que declararam j&aacute; ter sofrido algum tipo de agress&atilde;o &eacute; de 27% no Brasil, destaca a diretora da CAASP Raquel Tamassia. &ldquo;Entre estas mulheres est&atilde;o tamb&eacute;m as advogadas que, no contexto da viol&ecirc;ncia, encontram-se em posi&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade com a necessidade, muitas vezes, de suporte financeiro e psicol&oacute;gico para sair do ciclo da viol&ecirc;ncia. Neste sentido foi criado o benef&iacute;cio, para prestar apoio &agrave;s advogadas neste momento cr&iacute;tico&rdquo;, explica a dirigente.</p><p>Paralelamente, CAASP e OABSP aderiram &agrave; campanha Sinal Vermelho contra a Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica, cujo foco &eacute; ajudar advogadas a denunciarem situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia vividas em casa. A a&ccedil;&atilde;o acontece nas farm&aacute;cias da Caixa de Assist&ecirc;ncia, espalhadas por todo o Estado de S&atilde;o Paulo. O protocolo de socorro &eacute; simples e discreto. Basta a mulher vitimada desenhar um &ldquo;X&rdquo; na m&atilde;o e exibi-lo a qualquer um dos atendentes da farm&aacute;cia.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>","des_imagem1":"0","des_AltImage1":"","des_imagem2":"0","des_AltImage2":"","des_imagem3":"0","des_AltImage3":"","dta_Cadastro":"quinta-feira, 6 de agosto de 2020","cod_ModuloSite":"1","dta_Publicacao":"25/08/2020 12:02:29"}]}]}