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Notícia: As consequências das perdas dentárias à saúde*

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017

As consequências das perdas dentárias à saúde*

Quando perdemos um ou mais dentes as consequências vão muito além dos danos à estética e à autoestima. A arcada dentária restante procura se realinhar para cobrir a funcionalidade dos dentes perdidos e essa movimentação provoca problemas musculares e articulares que atrapalharam a fonética, reduzem a capacidade de mastigação e de absorção de nutrientes, causa perda óssea, dores de cabeça, nos ouvidos e tonturas. A intervenção,  o quanto antes, de um dentista é fundamental nesses casos.

"As próteses dentárias e o implante dentário têm como função restabelecer a saúde bucal", sentencia o cirurgião dentista e gerente odontológico da CAASP, Ricardo Padovese. A odontologia oferece alguns modelos de próteses para atender a diferentes necessidades clínicas - a mais famosa entre elas é a dentadura.

As próteses podem ser fixas ou móveis e servem para substituir todos ou apenas alguns dos dentes perdidos. Cabe ao dentista, após uma avaliação criteriosa, para verificar a situação dos dentes remanescentes, escolher o modelo que trará tanto bons resultados estéticos quanto ganhos efetivos na saúde bucal do paciente. De modo geral essa escolha depende da quantidade de dentes a serem repostos, da existência de algum apoio dentário adjacente, da estrutura óssea e também das condições sócio-econômicas do paciente.

"A solução mais recomendada hoje em dia é o implante dentário. Pela seguinte razão: para fixar uma prótese convencional é necessário preparar os dentes vizinhos ao espaço, isto é, ‘gastá-los’ para que fiquem na forma apropriada para receber a prótese. No implante, desde que os dentes vizinhos estejam saudáveis, não há necessidade de desgaste dos dentes remanescentes. Além disso, os implantes costumam dar maior segurança e conforto ao paciente", explica Padovese. “O implante, no entanto, é um procedimento muito mais caro que a prótese convencional, por ter um caráter cirúrgico, por envolver a utilização de mais materiais e também pela qualificação que o profissional que executa esse procedimento precisa ter".

Segundo o gerente odontológico da CAASP, atualmente só se recomendam próteses dentárias a pacientes que já as utilizam e, portanto, estão habituados ao seu uso, ou a pacientes que não possuem condições financeiras para arcar com os custos do implante.

As próteses dentárias costumam apresentar um tempo de durabilidade por vezes menor que a dos implantes. “Em tese, as próteses deveriam durar dez anos. Mas esse é um critério que está ligado diretamente aos hábitos de higiene e alimentação de cada um. Se o paciente é fumante, a prótese dura menos. Se gosta de comer comidas ácidas ou duras, a prótese também dura menos. Se deixa de higienizar corretamente a prótese, ela dura menos", observa o cirurgião dentista.

A limpeza de uma prótese dentária deve ser ainda mais criteriosa que a dos dentes naturais. Isso porque gengivas artificiais rentem mais alimentos. Logo, a higienização precisa alcançar a estrutura do suporte de maneira efetiva, para que restos de alimentos não se acumulem e degradem a estrutura. Hoje, há produtos que vão além da escova e do fio dental, que podem auxiliar nessa função, como, por exemplo, os jatos enxaguatórios.

De tempos em tempos, as próteses dentárias precisam ser reajustadas ou refeitas em consequência de desgaste natural e das mudanças na estrutura bucal, provocadas pelo envelhecimento, que deixam as próteses mais soltas, dificultam a mastigação e podem irritar a gengiva. "O recomendado é ir ao dentista de seis em seis meses para fazer uma reavaliação", aconselha Padovese.


Perigos da má higienização

Adultos e crianças podem perder um ou mais dentes de diferentes maneiras, por meio de traumas e acidentes e, de maneira mais comum, pela falta de hábitos de higiene criteriosos que leva à doença periodontal – a periodontite. "Quando um alimento é retido, as bactérias presentes na boca iniciam um processo de acidificação. Esse ácido em contato com a gengiva causa um processo inflamatório, que pode causar perda óssea e, por consequência, a queda do dente afetado", explica Ricardo Padovese.

O envelhecimento também favorece o surgimento dessa doença. "Com o envelhecimento, nossa calcificação diminui e a redução do cálcio torna mais recorrentes problemas periodontais", esclarece.

Na periodontite a contaminação avança abaixo da margem dos tecidos que dão suporte ao dente (gengiva e osso). É uma doença caracterizada por três estágios - a gengivite, a periodontite e a periodontite avançada. Trata-se de uma doença silenciosa e muitas vezes indolor, seus sinais (gengivas inchadas, vermelhas e sensíveis; sangramento durante a escovação; retração gengival - dentes mais compridos; dentes com mais mobilidade, mau hálito persistente; pus em torno dos dentes e gengiva; dentes excessivamente sensíveis) são camuflados ou ignorados até o estágio mais avançado, quando o dente já está exposto e com muita mobilidade.

O tratamento da doença periodontal depende do grau de comprometimento do dente, da gengiva e da perda óssea. O gerente odontológico da CAASP adverte que, caso não haja uma melhora na qualidade da higiene bucal diária, nenhum procedimento adiantará. Visitar periodicamente o dentista é um compromisso que não pode sair da agenda e que também serve como ferramenta de prevenção da periodontite e de outros problemas bucais.

*Matéria publicada originalmente no Jornal do Advogado, edição novembro/2017


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