.

Notícia: Conselho Secional da Ordem homenageia Maria Célia do Amaral Alves

Terça-Feira, 18 de Julho de 2017

Conselho Secional da Ordem homenageia Maria Célia do Amaral Alves

“Há quem indague sobre o porquê de se destinarem ações especiais e específicas às mulheres, numa quadra temporal em que se prega a igualdade entre gêneros. A resposta é simples: porque a decantada igualdade ainda não é realidade, restando como meta a ser alcançada. Nós, advogadas, somos maioria no mercado de trabalho do Direito, mas ainda assim encontramos quem resista a nos remunerar nos mesmos patamares em que se situam os advogados homens. Consideradas as ocupações em geral, podemos nos fiar em recente estudo da Organização Internacional do Trabalho para afirmar que não existe igualdade entre homens e mulheres. A OIT recomenda – e nos comprometemos a cobrar isso do Poder Público – que se ampliem as políticas que, direta ou indiretamente, promovam a igualdade de gênero.”

O trecho acima, extraído de um artigo de autoria dela, mostra um pouco da firmeza e da determinação que marcaram a trajetória de Maria Célia do Amaral Alves, liderança da advocacia paulista que morreu no último dia 29 de junho, em decorrência de problemas respiratórios, enquanto compunha pela segunda vez a Diretoria da CAASP.

Dona de um vasto histórico de trabalho pela advocacia paulista, com atuações marcantes nas Comissões de Ação Social e da Mulher Advogada da OAB-SP, além da CAASP, Maria Célia era viúva de outro ícone da advocacia paulista: Sidney Uliris Bortolato Alves, que presidiu a Caixa de Assistência de 2007 a 2009 e faleceu em 2010, quando secretário-geral da OAB-SP. O corpo de Maria Célia do Amaral Alves foi sepultado no Cemitério do Morumbi, com a presença de familiares, amigos e lideranças da advocacia paulista.

O presidente da Secional, Marcos da Costa, decretou luto oficial. Posteriormente, ela foi homenageada na sessão do Conselho Secional do dia 17 de julho, na presença de seus filhos Maria Cláudia, Maria Carolina e Luiz Otávio, além de outros familiares. Diretores da Ordem e da Caixa foram ao microfone para lembrar a colega e amiga.

“Saudade é um sentimento nobre, e Maria Célia nos deixou muita saudade. Ela conviveu conosco com um sorriso. Era a ponte do conflito para a paz, para a solução”, disse o presidente da CAASP, Braz Martins Neto. “Maria Célia viveu a assistência social dentro a fora da OAB, sempre construindo pontes, jamais muros”, destacou o diretor da Caixa de Assistência Adib Kassouf Sad. “Ótima colega, e uma diretora independente. Trabalhou muito pelos colegas, principalmente para aqueles que nada tinham”, salientou Célio Luiz Bitencourt, também diretor da Caixa.

Também estavam presentes os diretores da CAASP Arnor Gomes da Silva Júnior (vice-presidente), Rodrigo Ferreira de Souza de Figueiredo Lyra (secretário-geral), Alexandre Ogusuku (secretário-geral adjunto), Jorge Eluf Neto (tesoureiro) e Jairo Haber.

“Agradeço ao criador por ter me dado a oportunidade de conviver com Maria Célia. É daquelas pessoas que ficam, nunca passam. Permanece sua imagem de trabalho, de paz e de companheirismo”, registrou o presidente da OAB-SP, Marcos da Costa. “Pudemos constatar inúmeras vezes sua dedicação à família, à advocacia e suas causas, à CAASP e suas causas. Por tudo isso ela era efetivamente amada por todos nós”, assinalou o vice-presidente da Secional, Fábio Romeu Canton Filho. Emocionada, a secretária-geral adjunta da Ordem, Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos, disse que a amiga é exemplo “de amor, de amizade e de elegância em sua simplicidade, sempre trazendo uma palavra positiva, nunca negativa”.

Sua filha Maria Cláudia falou em nome dos familiares presentes (foto). A mensagem transmitida foi de força e fé: “Agradeço a Deus por ter tido pais que fizeram a diferença no mundo em que viveram. Quando meu pai se foi, minha mãe disse que a vida dele acabara, mas a nossa não. Nós vamos continuar a olhar para frente”.

Em outro trecho de artigo da lavra de Maria Célia do Amaral Alves, um pouco mais dos princípios que nortearam seu trabalho como quadro da Ordem e da Caixa de Assistência e que dão sua dimensão como ativista em prol da igualdade de gênero entre a classe:

“Nós, da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, ao passo que promovemos ações que levam saúde e bem-estar às advogadas que compõem os quadros da Ordem, nos somamos ao coro das instituições, entidades e movimentos que exigem a rigorosa aplicação da Lei Maria da Penha, de notável cunho humanista. E, nesse sentido, cobramos a devida estruturação dos juizados especializados de atendimento às mulheres vítimas de violência, para que decisões relativas à sua proteção não demorem meses para ser proferidas, como não é raro acontecer.”

 

Foto: Cristóvão Bernardo

 

 


+ Mais Notícias