Em editorial publicado na edição de agosto do Jornal do Advogado, Fábio Romeu Canton Filho homenageou os advogados paulistas na figura daqueles que se dedicam voluntariamente a contribuir com suas entidades de classe. Leia a seguir o artigo do presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo.
VOCAÇÃO E VOLUNTARIADO
Fábio Romeu Canton Filho
Presidente da CAASP
Este mês de agosto marca a data máxima da advocacia brasileira. É o momento de renovar as homenagens à classe e relembrar, sobretudo, que sem a advocacia não há Estado de Direito, não há democracia. Esta foi a história de ontem, quando os advogados foram os primeiros a se insurgirem contra a tirania e a arbitrariedade, colocando em risco, muitas vezes, a própria vida, para o país alcançar e consolidar o modelo pleno de garantia da cidadania. E esta é a história de hoje.
O advogado, como operador do Direito por excelência, não compactua com qualquer fissura em valores essenciais como o são o contraditório, o sigilo profissional com o cliente, a presunção de inocência, o direito que todo cidadão tem à ampla defesa, entre tantos outros preceitos que ancoram e dão a medida das sociedades democráticas.
Por essas razões, a advocacia, mais do que uma atividade que se especializa a cada dia, constitui, antes de tudo, uma vocação. Vocação neessária para enfrentar as enormes dificuldades que se interpõem entre a distribuição igualitária da Justiça e os obstáculos que, ainda hoje, impedem a realização desta meta em sua totalidade.
O reconhecimento do papel do advogado no Brasil da atualidade é imperativo, e tem como ponto de partida a sua própria instituição. Merecem, portanto, homenagem especial neste mês de agosto os advogados que, voluntariamente, contribuem para o engrandecimento de suas entidades de classe. Sem a colaboração e a abnegação desses colegas, certamente instituições como a OAB e a nossa CAASP não alcançariam, nem manteriam, a força e a dimensão de que desfrutam perante a sociedade brasileira.
Contam-se aos milhares os advogados que prestam serviços voluntários, não raro sobrepondo a colaboração com a classe às suas próprias carreiras e aos seus escritórios. Esses profissionais são a verdadeira grandeza de suas entidades. Formam um contingente enorme que garante não só o cotidiano das instituições de classe como, principalmente, seu futuro.
Dimensionar esse voluntariado não é simples. Mas é possível contabilizar alguns números. Na OAB-SP e na CAASP, além de seus diretores e conselheiros, há mais de 200 subseções. Além disso, temos atualmente 130 comissões seccionais temáticas, o Tribunal de Ética e outras tantas instâncias que não funcionariam sem a colaboração gratuita de uma infinidade de advogadas e advogados.
Quero destacar, dentre esses profissionais, o trabalho dos 33 relatores das Câmaras de Benefícios da CAASP. Voluntariamente, estes advogados se reúnem uma vez por semana para a difícil e essencial tarefa de analisar e deliberar sobre pedidos de auxílio pecuniário. A ênfase em homenagear esses profissionais se justifica. Sem o trabalho desses colegas, um dos principais deveres da Caixa dificilmente estaria sendo cumprido com a eficiência, a eficácia e o senso de justiça que se impõe e como, de fato, vem sendo feito.
Não seria exagero dizer que, atualmente, a responsabilidade crucial da CAASP é amparar o colega carente, em real e extrema dificuldade financeira ou que passa por problema grave de saúde, com o objetivo de auxiliá-lo em sua luta para se recuperar e retornar ao exercício da profissão. Esta é exatamente a tarefa dos relatores de benefícios. E, por isso, ninguém mais do que eles simboliza a vocação e o desprendimento que sintetiza o ideal da profissão de advogado.